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ELE FOI ÀS COMPRAS

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Ele foi ao supermercado. Precisava comprar alguns produtos que faltavam para si. Pegou dois quilos de solidariedade. Depois, pegou mais cinco quilos de tolerância, três sacos de disponibilidade e um pacote família cheio de respeito. Achou que ainda faltavam outros. Continuou…

Passou na gôndola de serenidade e já mandou ver uns 12 potinhos. Ainda gelados, levou 10 quilos de paciência pra descongelar com o tempo. Lembrou que estava com sede e logo foi pra seção de satisfação. Levou um pack de alívio, mais dois packs de tranquilidade, duas garrafas de sabedoria, um latão de calma e cinco latinhas de observação.

A ansiedade estava em promoção, mas ele não quis. Passou batido no corredor da inveja. Viu um “Leve 3 e Pague 2” de futilidade e deixou quieto, tanto que nem viu a liquidação de frescura logo ali ao lado.

Lembrou o que não podia faltar e foi correndo para o setor de bom senso. Chegou e já pegou vários sacos de discernimento, atenção e várias latinhas de generosidade. Achou que já estava bom, afinal, era a compra para o último mês do ano, mas queria usar muito no próximo ano e daria mais que o suficiente. Mesmo sabendo que ainda tinha, não esqueceu aquilo que o fez sair de casa compulsivamente: comprar dúzias de amor. Lotou um carrinho só com o seu vício.

Foi ao caixa e, antes de pagar, viu uma pequena embalagem de bom dia com 30 unidades. Pensou rápido e levou três caixas. No total, a conta deu apenas R$ Boas Intenções Reais e Sorrisos Centavos. Pagou tudo com força de vontade. A mocinha lhe entregou um troco 10 obrigados. Ao notarem que foi uma boa compra, a mesma mocinha do caixa o surpreendeu dizendo que ele foi premiado pela qualidade dos produtos e deu, de brinde, um simpático box de bom humor. Ele agradeceu e, com o brinde e o troco na mão, saiu sorrindo.

Ao sair pela rua, um caminhão parou de repente, bem ao seu lado. Desceram três caras fortões uniformizados com as palavras ignorância, ódio e arrogância. Cercaram-no ameaçando-o de morte e levaram toda a sua compra. Empurraram o pobre homem que ficou caído ao chão.

O caminhão saiu em alta velocidade e, por um descontrole do motorista, bateu no primeiro poste. O acidente foi tão grave que os três assaltantes vieram a falecer na hora. O pobre homem, ainda assustado, deixou as mercadorias no caminhão e voltou pra sua casa cabisbaixo.

Ao chegar em casa, ficou surpreso por não ter notado uma caixa de perseverança em sua sala que ganhara no Natal do ano passado, mas que ainda dava para usar, e sentiu-se melhor. Sentou-se no sofá e notou que tinha algo em seu bolso. Tirou para ver o que era e sorriu. Era um pedacinho de bênção que sempre andava com ele.

João Aranha

02/12/2016

 

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