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ONTEM, HOJE E AMANHÃ

relogio

Hoje, vim de ontem
Quem dera amanhã
Ser o de hoje

Amanhã serei mais eu
O eu de hoje contando mais um dia
E no dia de amanhã
Meu hoje será ontem

Ontem fui a prévia do hoje
Hoje sou o que sou
Amanhã serei só amanhã

Ontem
Hoje
Amanhã
Não importa

Seja hoje o que quer ser amanhã
Para amanhã olhar para o ontem
Sem medo de ter sido o que será hoje

Anteontem
Depois de amanhã
Não importa
Não leve a vida vã

Porque ontem eu disse que hoje faria amanhã
E amanhã direi que hoje foi meu ontem

Não escrevi isso ontem
Só escrevo hoje
Para ler amanhã

Tudo é pra ontem
Hoje é pouco
Até logo
Ou até amanhã.

 

João Aranha
28/01/2016

ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO

livros

Saber que o Museu da Língua Portuguesa estava em chamas é uma tristeza muito grande. Doeu saber e ver a fumaça daqui de casa que, inclusive, entrava, ainda que leve, no meu apartamento, afinal, moro apenas a 1 quilômetro do museu… este museu lindo, com tudo sobre a nossa língua mãe, além de diversas e ótimas exposições, que acaba por ruir.

É triste saber que um lugar onde eu já fui várias vezes e adorava ficar lendo nas paredes toda a história arcaica sobre a origem da nossa língua não existe mais… um lugar onde se aprendia um pouco mais, com uma bela estrutura e que oferecia ao público a história da nossa linguagem…

E hoje, nosso belo Museu da Língua se foi…assim como parte de nossa língua que se vai todo dia…

A língua muda, eu sei, mas ela, a última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor, e hoje, infelizmente, junto com sua casa, é sepultura…a bruta mina, entre os cascalhos… labaredas e escombros…vela.

Pobre bombeiro, pobre Olavo Bilac, Machado, Drummond, Goulart, Leminski, Fernando Pessoa e suas pessoas e mais milhões de pessoas que hoje estão órfãs de uma história que estava em um museu que passa a ser… mausoléu…

Triste fico, mas agora, definitivamente, isto deixa este pífio escritor, realmente, sem palavras.

João Aranha

21/12/2015

CARTA AO JOHN

john lennon

John, John, John…
Olá!
Você não me conhece
Também nunca me conheceria
Talvez, quem sabe um dia…
Sou seu xará
Afinal, alguns também me chamam de John
Mas vim aqui pra dizer que
Pode ser uma bobagem
Mas senti uma necessidade de te escrever
Mesmo sabendo que você nunca leia isso
Ou, vai saber se já não está lendo enquanto escrevo…
Acredito em tudo…
Então, John…
Passei aqui pra dizer que, após sua morte
Há 35 anos que você se foi
No dia de hoje
Nada mudou…
Você sabe, né? Eu sei
Me sinto um idiota escrevendo pra ti
Mas me deu essa vontade estranha
Enfim…
Quando você estava no auge eu mal te conhecia
Aliás, eu nem tinha nascido
Mas, como sou músico
E mesmo antes de ser, bem antes dos meus 17
Já conhecia a sua banda
E já achava muito bacana
Hoje, eu acho a mais foda de todas, John
Mas voltando ao que eu queria te falar
É que nada mudou nesse planeta, John
Você pedia um mundo melhor
Um mundo de paz
Um mundo sem religião
Um mundo onde todos poderiam viver como um só
Unidos…
É, John…
You know…
Se antes de Cristo houve guerras violentas
E na era medieval, mais guerras sangrentas
Imagine você
Hoje
Imagine
Se pensarmos que o mundo se modernizou
E as pessoas têm mais consciência das coisas
Imagine, John
Pois é
Era de se esperar alguma melhora
Mas não…
Só piorou, John
Tem muita ganância aqui ainda
Muito desrespeito
Muito ódio
Muito orgulho
E muita ignorância, John
Todo mundo pede paz mas não tem paz interior
Imagine trabalhar a paz com o outro?
É John… tá foda, man…
Você pedia a paz
O mundo te achava um subversivo
E foi um maluco lá e tirou a sua vida
Para, talvez, descansar em paz…
Espero que esteja
Quer dizer, com certeza você está melhor que nós, John
Mas eu só passei pra te dizer também que
Anos depois, ou melhor, 35 anos depois
A gente vê que o que você pedia
Muitos pedem hoje
Eu acredito que tenha uma mudança sim
Mas hoje, não vejo perto
Talvez eu não veja nenhuma mudança também
Bom, passei só pra te dar um toque
E dizer que você era o cara
Era o cara que ninguém ouviu
Aliás, aproveitando,
Ainda bem que você não está aqui, John
Existe um tal de Facebook
A ideia dele é unir pessoas
Mas essa parada toda tem afastado umas e outras
Acredita nisso?
Comigo não aconteceu
Mas vejo muito isso por lá
Imagino você no Facebook, John
Você teria muitos likes
Muitos compartilhamentos
Mas muito te achariam um idiota
Um comunista
E com certeza te bloqueariam, John
Mas tudo bem
Você seria bloqueado por querer a paz
Mas muitos querem guerra, acredita?
Tem fanáticos religiosos que matam sem perdão
E nem é sobre religião somente, é uma questão de poder, de política
Vai vendo, John…
Política, politicagem, essas coisas…
Se na sua época a guerra era fria
Hoje, ela esquenta a cada dia
As pessoas brigam pelo poder, John
Power to the People, né?
Mas esse é outro poder, man
Tá tudo bagunçado
All we need is love, you know
É…tá foda, John…
Mas a gente vai caminhando, né?
Um dia a gente chega lá
Não te conheci pessoalmente
Mas quando você partiu eu já tinha meus 8 aninhos
E olha só, eu fui batizado nesse mesmo dia 8, John
Só que sete anos antes da sua partida…
Coincidência ou não, só quis falar da data
É que eu sou muito detalhista, sabe John?
Lembro também de uma música de um conterrâneo seu
Também é um John, o Elton…
Eu era criança e gostava muito de uma música dele
Uma que se chama “Empty Garden”
Era uma trilha de novela que eu ouvia muito
Ouvia muito vinil na minha infância e adolescência
Eu não sabia sobre o que a música falava
Só uns 30 anos depois descobri…
Ele tinha feito pra você, cara… pra você…
Pela sua ausência…
Eu sempre achei essa música bonita
Mas quando vi o contexto…
Cara, eu chorava feito criança… principalmente na parte em que ele fala:
“Hey, hey, Johnny… Can’t you come out to play in your empty garden…”
É linda essa música, John
Assim como todas as que você escreveu
Você fez parte de uma das melhores bandas do mundo, John
Pra mim é a melhor
Mas eu falo “uma das” porque no Facebook, aquele lance que eu te falei, alguns podem discordar… mas foda-se, né John? Eu acho e pronto!
Well… vou parar por aqui
Só queria te avisar que eu amo a sua banda
E me casei com uma mulher incrível que, além de amar a sua banda também, ela sabe muito mais do que eu…
É… eu sou um cara de sorte…
Como você também foi
Enfim, John
Era só isso
Passei aqui pra te dar esse alô
Ah… não fique chateado
Está chegando o Natal e, há tempos, fizeram uma versão de uma música sua
Que além de ficar muito ruim, fizeram outra ainda pior…
Então… é Natal, mas fique bem, eles não sabem o que fazem, brother…
Olhe pela gente, se puder
Estamos aqui na busca
Come together
Afinal, é o nosso exercício diário
Vou aqui tentando fazer o meu melhor
Eu só te agradeço, viu?
Pela sua luta
E pela sua música
Valeu, John
Fique em paz.

Um abraço,

John Spider

08/12/2015

NASCER POETA

Ontem foi o Dia do Poeta
O dia de quem vive com poesia
Não fiz nenhum poema
Foi esta minha heresia

Hoje escrevo aqui
Para brindar que não sorri
Envelheci um dia
O poema que não pari

Ontem celebrado
Hoje recordado
Amanhã pensado
E todo dia
No coração fincado
De amor e dor suados

Choro, rio
Sinto, reflito
É o cerne que quase jaz
Ofício puro, franco, loquaz

É letrar o sentimento
É sentir o duro pranto
Cardíaco fomento
Borra a tinta, brota encanto

Poesia é todo dia
É sentí-la ao nosso lado
É esquecer odes torpes
Para estar ensimesmado

Contemplar mil horizontes
Regurgitar-se é a meta
É sorrir calado
É chorar sozinho
É quebrar sua janela
Para nascer
Poeta.

João Aranha

21/10/2015

O LÍNGUA

Era uma vez um substantivo
Ele nasceu com adjetivo
Viveu entre metáforas, eufemismos e orações
Sujeito simples
Trabalhou hiperbolicamente
Casou-se, do verbo amar
Adoecido, ficou sem predicados
Morreu pronome
Virou um artigo indefinido
Ponto final.

João Aranha

11/03/2015

ARCO-ÍRIS BRASIL

Imagem

O tempo está cinza
A economia está no vermelho
E o país ganha no mercado negro

A educação deu branco
A população está verde de fome
E a segurança sempre amarela

Tem mar longe do azul
Tem rosa homofóbico
Tem política cheia de laranja

Tem fúteis de sangue azul
Tem violeta sem água
Tem imprensa marrom

Tem gente que fica bege
Rosa para uns é choque
Vinho causa acidente
E o roxo de hematoma sofre

No velório, o lilás é flor
Jaz um país de amor
E no ocre profundo da terra
Nasce um país de dor

E no prisma de um futuro
O que mais se vê
É a furta cor.

João Aranha

06/06/2014

FIM

FIM

POEMA CURTO

Poema
Eu curto
Eu curto poema curto.

João Aranha

15/01/2014

EU

Caricatura

Esse desenho foi feito em 1999. Faz parte até do cartão de visitas.

Ilustração feita pelo meu amigo, também publicitário, Marcelo Mesquita.

REVERBERANDO…

Olá, pessoas!

João Aranha agora no WordPress! Um novo espaço para os meus poemas, crônicas, reflexões e devaneios sobre o meu cotidiano e as coisas deste vasto mundo.

Sejam bem-vindos!

Um abraço,

João Aranha

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