Arquivo da categoria: Poemas

DOR

A dor que vem
É uma espécie de morte
A dor é que nem
Abrir um corte
A dor não é um bem
Quem dera fosse
A ausência de sorte
A dor que vem
Fura o peito
Amassa o coração
Carcome a alma
A dor que vem
Poderia ser em outrem
Mas vem neste ser
Que parece não mais ser
Que padece em não mais ter
Que apodrece de sofrer
Não vejo luz
Quem sabe ela virá

Mas enquanto não acende
O nada me sente
O escuro está na frente
Enlouquece toda a mente
Só há o doente
Que entre unhas e dentes
Não se fez presente
Falece eu ente
Esperando crente
Que o amanhã melhor será

Mas enquanto ele não vem
É esperar uma breve cor
Viver na imensidão
E no declínio
De uma triste dor.

João Aranha
23/08/2017

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JOVENS

jovens

Eu vejo jovens

Vejo jovens por aí

Vejo alegria

Vejo euforia

Vejo fúria e frescor

Vejo meninice

Pra lá e pra cá

Vejo um vai e vem

De jovens

De adolescentes

De pré-adultos

De ex-crianças

Vejo ingenuidade

Vejo liberdade

Vejo felicidade

Vejo promiscuidade

Frivolidade, agilidade

Passividade, agressividade

Vejo muita atividade

Vejo a idade na cidade

Vejo teses

Sínteses

Antíteses

Vejo beijos

Amassos e pegações

Vejo amores

Promessas e decepções

Vejo sorrisos e gargalhadas

Choros e lamentações

Vejo vidas e mortes

Feridas e cortes

Vejo o que vivi

Por vezes, o que nunca vi

Vejo histórias contadas

Criadas ou mal-criadas

Verdadeiras e falsas

Loucas e engraçadas

De rica valia

Ou de puta cagada

Vejo aventuras e desventuras

Eu vejo

Vejo as brigas por alguém

Vejo brigas pra ser alguém

Vejo alguém jovem

Eu vejo eu

Jovem.

João Aranha

13/04/2017

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POESIA

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Tinha acabado de acordar

Aquela cara amassada de travesseiro

O cabelo levemente bagunçado

Rosto de um sono bem dormido

Sem maquiagem

Roupas confortáveis

Toda de preto

De meias e chinelos

Pegou seus óculos de armação preta

Prendeu suavemente seu cabelo

Naquela medida exata que segura o todo

Mas deixa algumas pontas caídas aos ombros

Pôs-se a ler um artigo na internet

Na sua postura elegante e calma

E eu ali

Calado

Observando e contemplando

A poesia de seu corpo

Do seu jeito simples e despojado

No momento tranquilo do dia

Pude sentir a serenidade

Pude ver a feminilidade

Pude admirar a beleza

E com certeza

Agradecer por ter você ao meu lado

E de ser sempre

Um eterno apaixonado.

João Aranha

26/01/2017

HÁ VAGAS!

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Vagar por aí

Vagar pelos ares

Vagar pelos quatro cantos do mundo

Poema que vaga por onde for

Que vague sem ser vago

Que preencha a vaga da alma

Que vaga

Que divaga

Poema que vai

Que volta

E que fica

Poema que faça jus

Que nunca jaz

E que abra vaga

Para sempre ter

E ser

Poeta.

 

João Aranha

13/12/2016

 

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EDUARDO E MORO

Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas por essa nação? E quem irá dizer que não existe razão?

Eduardo abriu os cofres, mas não quis se entregar, ficou calado e viu que horas eram, enquanto Moro aparava o cavanhaque no outro canto da cidade como eles disseram

Eduardo e Moro um dia se encontraram sem querer e conversaram muito mesmo pra tentar se esquecer. Foi um carinha do partido do Eduardo que disse:

– Tem uma treta legal e a gente quer se divertir
– Treta estranha, com gente comunista, eu sou ilegal, não aguento mais propina

E o Moro riu, quis grampear um pouco mais sobre o dim-dim que ele tentava desviar. E o Eduardo, meio sonso, só pensava em ir pra câmara: – Se eu pago duas, eu vou me ferrar

Eduardo e Moro grampearam telefone, depois se confrontaram e decidiram acarear. O Eduardo contratou uma piriguete, mas o Moro queria ver o filme se queimar. Se encontraram então no Parque da Asa Norte, o Moro foi de moto e o Eduardo de Pagero. O Eduardo achou estranho e melhor não declarar, mas o juiz era bem contra os de vermelho

Eduardo e Moro eram nada parecidos, um era do tabelião, outro pagava uns dezesseis. Um vinha da advocacia e estudava o petrolão e ele ainda nas entrelinhas do PMDB. Ele erguia a bandeira, xingava os “do mal”, vândalos, militantes, até Caetano ele xingou. E o Eduardo protelava sua novela e manobrava liminar com aquele senador

Denunciava coisas sobre o Planalto Central, também quadrilha e corrupção. E o Eduardo ainda fazia o seu esquema “Suíça, emenda, Truste e indicação”. E mesmo com tudo decadente, veio mesmo, de repente uma vontade de prender. E os dois se criticavam todo dia e a polícia corria como tinha de ser

Eduardo e Moro fizeram delação, promotoria, CPI e peculato, e foram viajar. O Moro explicava pro Eduardo coisas sobre o réu, a cela e sua conta além mar

Ele aprendeu a romper, deixou a grana crescer e decidiu atrapalhar. E o Moro deflagrou no mesmo mês e rastreou um outro patamar

E os dois se alfinetaram juntos e também brigaram juntos, muitas vezes depois. E todo mundo diz que ele investiga a ex, o vice e o testa, ninguém dá nome aos bois

Construíram um sítio uns dois anos atrás, mais ou menos quando os presos vieram. Descobriram a grana e seguraram o ilegal, a barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Moro voltaram pra Brasília e aquela inimizade ainda piora no saguão. Só que nessas férias não vão viajar, porque a mulher do Eduardo correu pra liquidação

E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas por essa nação? E quem irá dizer que não existe razão?

João Aranha

20/10/2016

É PRECISO

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É preciso comer frutas
É preciso comer verduras
É preciso comer pouco
É preciso escovar os dentes após as refeições
É preciso passar fio dental
É preciso evitar o açúcar
É preciso evitar o álcool
É preciso parar de fumar
É preciso beber água
É preciso beber muita água
É preciso evacuar
É preciso urinar
É preciso fazer a digestão
É preciso cuidar do coração
É preciso cuidar do pulmão
É preciso cuidar do fígado
É preciso cuidar do estômago
É preciso cuidar dos rins
É preciso cuidar dos olhos
É preciso cuidar dos ouvidos
É preciso cuidar da gente
É preciso cuidar dos outros
É preciso fazer exercícios
É preciso descansar
É preciso cuidar do corpo
É preciso cuidar da mente
É preciso cuidar do intelecto
É preciso trabalhar oito horas por dia
É preciso tirar férias
É preciso conhecer a cidade
É preciso conhecer outras cidades
É preciso conhecer o país
É preciso conhecer outros países
É preciso agradar os outros
É preciso agradar a nós mesmos
É preciso fazer os outros felizes
É preciso ser feliz
E ainda é preciso dormir oito horas por dia
Na boa
É preciso parar com tudo isso.

João Aranha
23/08/2016

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LUA

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Longe
Muito longe
Mas de tão longe
A vejo perto
A sinto perto
Admiro-a
Quieta
Solitária
Na dela
Grande, imponente, luminosa
Às vezes minguante
Às vezes nova
Às vezes crescente
Mas pra mim
Sempre cheia
Cheia de mistérios
Cheia de beleza
Cheia de luz
Luz prata que reflete
E seduz
Encanta
Embora fria
Chama
Chama a gente
Para sua face
Para seu dark side
Mas sempre
Nos chama
Calada, diz tudo
Parada, movimenta o mundo
Dos apaixonados
Dos embriagados
Dos notívagos
Dos esperançosos
Dos felizes
Dos tristes
Ela fala com a gente
Eu, pelo menos
Falo com ela
Quase todas as noites
Ela não responde
Mas sei que ela me ouve
Pois converso com ela
Olho pra ela
Peço a ela
Um mundo de poesia
Um mundo sem hipocrisia
Um mundo mais leve
E que ela leve
O que não é bom
Para outra galáxia
E nesse universo perverso
Meu verso é teu
Te vejo pura
Te vejo nua
Te vejo crua
Te amo
Sua linda
E toda minha
Lua.

João Aranha

18/08/2016

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SEJA

seja

O que está por vir?
Vir a ser
Vira ser
Vira ser humano
Vira qualquer ser
Ser, estar
Estar humano
Vir a ser humano
Humano ser
Humano no ser

No que pode vir
No que pode vir a ser
Será
Será?
Esperemos o que está por vir

E se vir
E se vier
E se ver
E se ser é ver
Veremos

O que é ir?
O que é estar?
O que é ser?

E por assim ser, ir
E por assim ir, estar
E por assim estar, ser

Ser você
Ser você mesmo
Um ser
Apenas
Ser
E que assim
Seja.

 

João Aranha

04/05/2016

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25 ANOS

Há exatos 25 anos
Fiz meu primeiro poema
Não ganhei dinheiro algum
Mas resolvi muito problema.

João Aranha

16/04/2015

CLARIDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

Um momento único
Um gesto puro
Um presente pequenino
Que me fez esclarecer

O primeiro olhar
O primeiro grito
O primeiro choro
Que a vida se faz valer

O amor em sua labuta
Nas semanas de luta
Gera a flor diminuta
No seu claro nascer

No calor da mãe brotou
E ao velho e novo colo ficou
O pai feliz e todo sem jeito
A entregou ao materno leito

Ansiedade que vira alegria
Cria o sorriso bobo
No adulto tolo
Que nasce com a cria

Menininha de encanto
Na busca de qualquer canto
Escolhe o cantinho quente
Mas sabendo que já é gente

Sorri no natural reflexo
Deixando o casal perplexo
Quer descobrir seu novo mundo
Mergulhar a fundo
Seu mais novo universo
E entre a prosa e o verso
Vem mais um poeminha

No fim de tarde
Já veio conhecendo a noite
Mal sabendo que sua casa
Já era seu primeiro pernoite

A união de dois seres
Abriu caminho à nova semente
Bela e formosa filha
Faz o pai se sentir valente

Escolheu seu lugar, seus pais e sua casa
Veio como anjinho, voando, batendo asa

Deixou o ventre escuro
Para seguir sua pura luz
De trazer ao nosso lar
O contento que não para

O nascer que deixou meu ser
Com a certeza que a vida é linda
E que mesmo pequenininha
Mostra a felicidade que não se finda
Deixando-a mais pura
Mais leve
E muito mais clara.

João Aranha

16/12/2014

ELA

 

 

Ela cai
Ela vai
Ela vem
Ela foi
E se foi
Pro meu bem
Gota à gota
Ela bota água
E de bota em bota
Ela desbota
O que molha além
Ela aperta
Ela afina
Ela cessa
Ela alaga
Ela ultrapassa
Ela seca
Vem molhada pra beber
Vem molhada pra lavar
Vem molhada pra molhar
Gelada ou quente
Ela molha a gente
Às vezes ajuda
Às vezes atrapalha
Às vezes demora
Às vezes não para
Enche e esvazia
Tristeza ou alegria
Acolhe a enguia
No rio segue e vira guia
No mar não salgaria
Cai em pé
Corre deitado
Molha o coitado
Alimenta o gado
E ensopa o sapato
Fode com o dia
Mas é bom pra foder
Molha até foder
Pra foder no molhado
Envolve o apaixonado
Refresca o telhado
Atrasa ou adianta o lado
Antes do Sol casa o espanhol
Depois do Sol casa a viúva
Abraça a uva
E cai como uma luva
Eu te amo e te odeio
Ilustríssima senhora chuva.

João Aranha

15/01/2014

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ALMA

Imagem

Não existe cara metade.
Existe uma outra face, que te preenche porque você se sente pela metade.

Não existe a metade da laranja.
Existe uma laranja inteira que faz você se sentir menos laranja.

Não existe sapato velho.
Existe outro pé que anda junto com você, com ou sem sapato.

Não existe a tampa da panela.
Existe uma panela de pressão que te deixa em depressão por não conseguir a metade da laranja, a cara metade e o sapato velho para colocar na panela e mexer com tudo, principalmente com o seu coração.

Esqueça a laranja, a cara, o sapato e a panela.

Quando você esquecer tudo isso, com certeza, vai aparecer aquela pessoa.

E quando ela aparecer, você verá que ela é, realmente, uma outra alma, completamente diferente, mas que se iguala nos sentimentos, uma alma que vai te entender, te respeitar, te acompanhar e te amar.

E quando ela chegar,

Por favor,

Faça a gentileza de se entregar.

 

João Aranha

10/02/2014

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Posso?

Não
Não posso
Não posso dizer
Não posso pensar
Não posso fazer
Não posso fazer o que penso
Não posso pensar o que digo
Não posso dizer o que faço
Não
Não posso
Não posso negar
Negar o que posso
O que posso?
Posso?
Posso
Posso poder
Poder eu posso
Poder negar o poder
Negar o poder do não
Afirmar o poder do sim
Sim, eu posso
Sim, eu posso negar
Não, não posso afirmar
Sim e não
Eu posso
Afirmo que nego
Nego que afirmo
Posso
Posso o que vier
Posso quem vier
Posso quando puder
Posso onde for
Posso e não posso
Devo poder?
Dever pode?
Pode
Posso
E no fundo do poço
No poço do poder em que posso
Me afundo
Levanto
Pronto
Pronto para poder
Pronto para o poder
De poderar
De não ponderar
Com todo o poder que posso
Com todo o poder que peço
Me despeço
Porque sim
Porque não
Eu posso.

João Aranha

15/01/2014

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MEU REINO POR 20 CENTAVOS

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Um absurdo
Um grito
Um fato

Outros absurdos
Outros gritos
Outros fatos

Vários absurdos
Vários fatos
Um só grito

Um passo à frente
Olhar pra frente
É brava gente

Deixar a poltrona de lado
Levantar a voz para o alto
Exigir a verdade de fato
E no ato
E sem boato
Pés brasileiros
Cobriram o asfalto

Faixas e cartazes
Indignação… catarses
Pobres oprimidos
Classe média revoltada
Burguesia calada

Vem pra rua
Seja sol, seja lua
Pinta a cara
Desbota o sistema
Sujeira no tapete
Topetes e colarinhos

Saúde na maca
Educação de castigo
Segurança presa
Transporte parado

Direitos amordaçados
Dignidade parca
Vergonha alheia
Hipocrisia em alta
Nação em baixa

A epiglote do povo
É o mote do novo

Por uma boa causa
Por inúmeras boas causas
A cidade parou
O estado assustou
O país acordou
Gigante pela própria natureza
Jazia a cor da tua bandeira

Abre o olho
Escova dente
Toma café
Vai à rua
Vai à guerra
Vai à luta
Luta do cerne natal
Pacífica briga
Ao governo letal

Voz de cansaço
Berro de descaso
Punho fechado de revolta

O país se faz de homens
O país se faz de livros
O país se faz do povo

Política, titica
Polititica
Corre atrás desesperado
Corre atrás do confinado
Corre atrás do continental finado
Mostra tua cara
Sai do hino do futebol
Bota o hino no coração
Vota a favor de uma nação

De verdade pura
De suór exaurido
De sangue pulsante
De alma lavada
Limpa a corja
Aspira o tapete verde

Parte todo e qualquer partido
Já partido há tempos
Agora parte do povo
Parte e reparte o pão
Hasteia a bandeira
Sem dar bobeira
Pra não lutar em vão

Agora faz teu gol de placa
Agora faz teu samba na graça
Porque agora é tua força em massa

Ele acordou
Nós acordamos
Eles perderam o sono

Vandalismo é no topo
Discursos no oco
Não ignore a nação

Solta teu grito
Aperta teu aflito
Levante tua mão

Agora é a nossa hora
Chega de pedir esmola
Pra defender nosso brasão

O que calou em décadas
Berrou aos déspotas
O que é nosso
O que é são

O povo acordou
O povo levantou
Agora acorda congresso
Corre atrás do teu retrocesso
E sana teu senado

Mostre-se em frente às câmeras
Mostre-se em frente à camara
Mostre tua rampa decadente
Porque agora o clima é quente
Queima burocracia
Com 3º grau na má vontade

Porque a voz é liberdade
Porque a voz é fraternidade
Porque a voz é igualdade
E depois da tua não destreza
Resolva e saia à francesa

Porque o país é nosso
E nós estamos bravos
E tudo isso começou
Com apenas
20 centavos.

João Aranha

27/06/2013

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BÚSSOLA MORTA

Não sei para onde vou
Não sei onde estou
Não sei o que sou

Não sei de onde vim
Não sei porque vim
Não sei o que há em mim

Não sei o que busco
Não sei se me ofusco
Não sei se sou brusco

Não faço questão
Não peço perdão
Não beijo o chão

Caminho alagado
Caminho infundado
Caminho sem fim

Escolho o que quero
Desperta meu sério
E espero sorrindo

O mistério do caminho
O caminho da rua
A rua do mistério

Não quero mais nada
Só quero meu tudo
Nem sei o que é meio

Entro no vazio
Saio do todo
Só sinto a metade

A luz não acende
A cruz me suspende
Calvário me sente

Me ponho a chorar
Me ponho a sorrir
Me ponho a me por

Tenho meta e me acabo
Acaba minha meta
Dou cabo de mim

Resido na procura
Resíduo de busca
Procuro meu fim

Não sei para que sirvo
Não sei para que vivo
Não sei se estarei vivo

Vivo para ver
Vivo para conhecer
Vivo para viver

Meu mote é seguir?
Meu mote é esperar?
Meu mote é mudar?

Tracejo amanhã
Desenho só hoje
Rabisquei o meu ontem

Vou embora daqui
Vou pra onde eu me vi
Vou sem norte
Morri.

João Aranha

10/06/2013

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