Porta

A madeira
O aço
O ferro
O vidro
A dobradiça
O batente
A guarnição
A maçaneta
A fechadura
A cor
O tamanho
O formato
De um jeito ou de outro
Ela está lá
Parada
Pronta para ser tocada
Sempre
Sempre quieta
Dizendo tudo
Dizendo o caminho
Mostrando o caminho
Sendo o caminho
Caminho que não sei
Caminho que não vejo
Mas um caminho que eu sinto
Caminho que faz a vida
Que mostra
Que indica
Que diz
Não tenho o tempo
Não tenho a vista
Não tenho a chave
Mas tenho a vontade
Tenho a idade
Tenho o porquê
Não importa como
Não importa onde
Não importa quando
O que importa é a festa
De adentrar na mestra
E o que me resta
E o que me importa
Nesta vida torta
É abrir a porta
Mas o que me conforta
É a fraqueza morta
Pra seguir a fresta.

João Aranha

14/10/2011

Palavras

Nas palavras eu me escondo
Nas palavras eu me procuro
Nas palavras eu me encontro
Eu me deito nas palavras
Eu me cubro com as palavras
Eu acordo com as palavras

Nas palavras eu digo
Nas palavras eu leio
Nas palavras eu escrevo
As palavras me recebem
As palavras me visitam
Nas palavras eu resido

Palavras que eu bebo
Palavras que eu como
Palavras que eu vomito
Palavras me fazem gritar
Palavras me fazem chorar
Palavras me fazem sorrir

Palavras para plantar
Palavras para lavrar
Palavras para colher
Palavras para soltar
Palavras para guardar
Palavras para engolir

Palavras frias
Palavras quentes
Palavras mornas
Palavras me fazem morrer
Palavras me fazem doer
Palavras me fazem viver
Palavras letras
Palavras frases
Palavras parágrafos

E com tantas palavras assim
Talvez poucas para elas
Me vejo por fim
Sem elas.

João Aranha
25/07/2011

Vermelhor

No vermelho da paixão
No rubro do calor
No amor escarlate
Que bate o coração
Que sorri na emoção
Que segura a minha mão
Degustando o puro vinho
Sentindo o sangue fervente
Aveludando a pétala quente
Que transpira nas manhãs
Que anseia ao fim de tarde
Que brinda ao luar
Grito vermelho
Ecoa no dia
Se guarda na noite
Amor de raro selo
Cuidado ao fino esmero
Para a dama de vermelho.

28/06/2011

João Aranha

Velhice

O tempo passa. Sim, o tempo passa. E com ele, vamos juntos, sem ver o tempo, sem vê-lo passar. O tempo passa e nós, mesmo sabendo, não sabemos quando o tempo nos dirá que ele veio, mas sabemos que um dia ele virá. Virá de uma forma branda, é claro, afinal, nunca contamos os anos, meses, dias, horas e segundos, mas, a cada segundo que passa, passa-se o tempo e nossa vida vai caminhando até chegar o dia, o dia da nossa velhice. Velhice que vem, velhice que vai, mas todas, sem exceção, vêm, ou melhor, todas elas vêm se assim o destino permitir que venha antes de desaparecermos do mapa, seja ele qual for. A velhice vem e toda a nossa experiência também. As rugas surgem na face, nas mãos, no pescoço e pelo resto do corpo. Os cabelos brancos apontam levemente, outros abruptamente, mas apontam no meio dos outros fios negros, vermelhos, louros ou de quaisquer cores, eles apontam a hora que está passando. A força dos músculos diminui, a memória começa a falhar, para alguns permanecem lúcidas, para outros, ela some como um todo, os movimentos dos nossos membros ficam lentos, o raciocínio um pouco na mesma velocidade, os olhos perdem aquela visão nítida de tempos atrás, o coração fica mais fraco, os órgãos sexuais apresentam suas falhas hormonais, o desejo do sexo não grita como nos bons tempos de outrora, os dentes podem ser substituídos pelas famosas dentaduras, os pêlos vão sumindo conforme o passo lento dos pés, que ora incham, ora se cansam com facilidade e outros órgãos do corpo se prontificam a mostrar que não estão tão bem como antes. Em meio às rápidas, ou não, transformações inevitáveis do corpo, vem a juventude tão serelepe como nunca vista, é claro. Toda a mudança dos velhos vem simultaneamente com a jovialidade dos seres com menos de 20 anos. A vitalidade dos adolescentes e jovens adultos cresce e floresce de forma única, mágica e sadia, porém, e infelizmente, o sadio de tais pessoas não floresce tanto quanto os corpos respectivos, como a educação e o respeito. O tempo passa para os velhos e, de tempo em tempo, a educação fica mais rara, ou, usando mais um eufemismo, alguns jovens não mudam. Os lugares reservados para os idosos nos transportes públicos, nas filas nos bancos, a prioridade que não é priorizada vai se esvaindo da sociedade. Outro dia, eu mesmo ajudei uma senhora bem idosa que, acompanhada aos braços de sua mãe, também já com certa idade, pisou em falso e caiu com o rosto no chão da rua. Eu, que estava parado, fumando meu cigarro e observando o simples passar das pessoas, notei a queda e, prontamente, corri para ajudar a pobre senhora. Corri tão rápido que se fosse mais rápido a senhora nem tinha caído. Sem exageros, a senhora acabara de cair e eu já estava lá, há uns 3 metros de distância de onde eu estava, levantando a senhora fraquinha, junto com sua mãe, que agradecia junto com a senhorinha. Feliz fiquei ao ver que nada de mal tinha ocorrido e que, junto com seu agradecimento, vi o sorriso da senhorinha simpática, se confortando com a ajuda e aliviada por não ter nenhum arranhão aparente nem dores instantâneas. Assim, prosseguiu seu caminhar com sua mãe e eu, levemente assustado, fui aliviando meu desespero durante a corrida. Assim que sumiram do cenário, meu ser, também prontamente, aliviado ficou e, ao mesmo tempo, me veio o pensamento: quantos jovens fariam determinada tarefa? Talvez todos, talvez muitos, mas, não sou super-herói, nem serei e nunca quis ser, mas me arrisco em dizer que, talvez, pelo meu desabafo anterior, poucos fariam. Digo isso porque, o que vejo, a cada dia, é o desrespeito para com os idosos, a falta de atenção e o simples tratar, verbal ou gestual com os bons velhinhos deste país e, por que não, do mundo? Vejo moleques imberbes ouvindo seus MP3 no ouvido e fingindo não ver idosos querendo se sentar nos bancos dos ônibus, vejo ainda vários que nem sabem o que é trabalhar, fingirem dormir no mesmo banco onde deveriam se sentar tais idosos. Eu fico triste, ou melhor, sinto a raiva que talvez alguns idosos nem sintam por aceitarem de alguma forma a negligência de muitos. Enfim, e por fim, sinto que tais velhinhos são mais jovens que muitos jovens, pois ainda têm a vitalidade do viver, do estar vivo e sobrevivendo tantas injustiças sociais e físicas por este mundo afora e, por assim dizer, vejo o caráter ranzinza dos jovens que, muito antes de sua hora, já o fazem. Tenho pena dos jovens. Tenho pena destes jovens que, em sua velhice, podem xingar todos os dias os jovens de futura data e mais pena sinto da memória que alguns podem não ter de lembrarem que, um dia, ou vários, ou todos os dias, ele não ajudou ele mesmo no futuro.

22/03/2011

João Aranha

Entrelinhas

Não sei o que escrever
Mas preciso escrever
Pois preciso é
Escrever na linha
Sem seguir a linha
Alinhar sem ter linha
Perder a linha
Sem perder o fio
O fio da meada
Em meados do dia
Nos meandros da vida
Dando vida sem medo
No linear das linhas
No tempo não linear
Sobre e sob as linhas
Vivendo e escrevendo
No caminhar das entrelinhas.

João Aranha

18/04/2011

Viva o Verão!

Viva o verão!
Viva!
Viva o suór do verão que me deixa prostituto só de pensar no exagero que ele traz consigo!
Calma, leitores calorentos, eu não odeio o verão. Claro que não. Eu gosto dele, contanto que ele venha, sempre, com moderação. Por assim dizer, viva a merda que é o verão em lugar errado. Explico.
Gisele Bündchen, em recente filme publicitário, dizia: “O verão é a melhor estação do ano”. Pausa, João. Pausa. Respira fundo. Agora vai: AONDE QUE O VERÃO É A MELHOR ESTAÇÃO DO ANO? Ela diz isso. Lógico. Ela tem motorista particular, tem ar-condicionado, tem praia quando quiser, tem piscina, ofurôs e mais quaisquer acessórios para se refrescar no verão que, por assim dizer, pra ela, nunca é sentido, mas sim, bem curtido. É claro que ela diz isso. Ela por acaso pega o Socorro no Terminal Bandeira até o Largo 13 esmagada por dezenas de pessoas suadas e coladas ao seu corpo? Ela anda pela Faria Lima, pela 25 de março, pela Teodoro Sampaio embaixo de 38 graus calorentos em demasia fazendo a testa cair de tanto suór, testa que surge de uma outra crosta na própria testa fazendo uma segunda testa? Então, tá. Assim eu também amo o verão, e por isso venho aqui desabafar diante o bafo quente que ele insiste em trazer para nos molharmos de pura sudorese descabida sem que a água exigida sequer se apresente, ou melhor, quando vem a água, esta sim, vem em demasia, molhando tudo, alagando tudo, enchendo tudo e acabando com a vida de diversas (para não dizer milhares) pessoas dentro da capital paulista. E pra não dizer só da capital, diria que, cidades que não têm praia ou alguém que não tem piscina em sua casa na cidade, definitivamente, não podem ter o verão citado pela modelo. É claro que é um filme publicitário, não a culpo, mas, reflitam a frase proferida. Não tem como aceitar um calor de 38 graus na sua cabeça durante o dia e, quando vem uma chuvinha para acalmar, vem 500 bilhões de litros que não param mais de cair por sobre as nossas cabeças, telhados, cabeças pouca telha e cabeças de pessoas que nem telhado tem, enfim. Aliás, o ser humano é um ser engraçado. Quando esquenta demais, ele precisa se refrescar com algo gelado. Quando esfria demais, ele precisa de algo para se aquecer. Somos uns idiotas. Talvez eu seja o maior deles, só de vir aqui perder meu tempo escrevendo uma bobagem como esse texto aqui, mas enfim, era só um manifesto para dizer que, verão não é para São Paulo. Verão é para curtir na praia, no campo ou na piscina. Verão na Cardeal Arco verde, na Consolação, na Heitor Penteado, no busão, nas ruas, avenidas, túneis, passarelas, viadutos, esquinas, escadas, ladeiras, corredores e afins, enfim, não é bem-vindo.
Sei que sou chato, mas o que mais me irrita é o povo dizendo pelas ruas, assim que o astro-rei resolve dar as caras após São Pedro deixar o registro aberto por dias inteiros: “Ah, o sol, o verão, ai que delícia!”. Ai que merda, isso sim. Eu gosto de mulheres com vestido, mas não uso vestido, entendem? Eu não fico com minhas partes íntimas totalmente ventiladas como as encantadoras, delicadas e charmosas mulheres ficam. Mal saio do banho e quero entrar de novo. Aí sempre vem outro herdeiro de meretriz dizendo a velha máxima: “Mas banho quente no verão é pior…” Não adianta, água quente, morna, fria, gelada, ou “glacial station plus master Norway gélida blasé”, não adianta. Você sai do banheiro e, ao sair de casa (lembrem-se, eu não tenho motorista com ar-condicionado no carro, ok?), já se inicia o processo de nascimento da primeira gota de suór que se prolifera em micro segundos fazendo as costas sentirem um córrego salgado querendo ir de encontro a outro canal protegido. A bolsa escrotal se encontra abaixo dos joelhos, testas duplicadas por crostas, pescoço grudando, mãos sujas só pelo fato de estar calor, todas as articulações sendo coladas, e por aí vai… Viva esse verão que os bundas-lelês adoram e insistem em dizer que é uma maravilha. É uma maravilha sim, mas não em São Paulo. Suór tem de vir durante o sexo, e não antes mesmo de xavecar. O bacana é se aquecer até explodir e não chegar pingando antes do prazer maior. A não ser que seja na piscina, na praia, no ofurô, mas não na Paulista, em Pirituba, no ponto da Rebouças, onde se espera, entre um zig-zag de ônibus, um mínimo de zig-zag de um vento que não existe.
Isso sem falar nos mosquitinhos adoráveis que entram nas narinas sem avisar, sem passsar o crachá na catraca. Sem falar das borboletinhas eufóricas que não podem ver luz que se abundam todas fogosas, até na televisão e monitores de computador é local ideal para aquecer o ânus ou a piriquita da invertebrada baladeira. Sem falar dos pernilongos vampirescos insistentes por sangue ao verem janelas abertas e corpos dormentes sem lençol. Sem falar nas simpáticas criaturas das trevas abomináveis, as baratas grotescas e cascudas amarronzadas vindas em corridas vis, com suas pressas que infernizam nossas vidas, nossas casas, nossas almas, isso quando não vêm pelos ares… Ah… viva o verão! Viva a melhor estação do ano!
Me desculpem, pessoas, eu gosto do verão. Gosto se ele não viesse com esses minúsculos descontentamentos. Sou mais o delicioso inverno, onde hibernarei no cobertor que não gruda, no sexo delicioso e mais quente, na vida com o suór necessário de cada dia, e não com o suór gratuito, sem o mínimo esforço.
O aquecimento é global. O sofrimento é inevitável.
E tudo pode piorar.
Vocês verão.

PS) Me desculpem. Escrevi isso no calor do momento.

João Aranha

21/12/10

3

Três
Ou 3
Enfim
É sempre três
1 + 2 = 3
2 + 1 = 3
9 / 3 = 3
Sempre três
Três reis magos
Três pirâmides do Egito
Três poderes
Sempre três
Três meses de experiência
Los três amigos
Três acordes
Um, dois, três e já
Vou contar até três
Trio Parada Dura
Power Trio
Trio Mocotó
Trio Elétrico
Tripé
Três pilares
Bangalô três vezes
Triângulo das Bermudas
Três
Sempre três
O homem, a mulher e o amante
Sempre três
Três formas de amar
Trilogia
Melhor de três
Três é a negra
1º, 2º e 3º lugar
Ménage à Trois
Eu, tu, ele
Nós, vós, eles
Terceira pessoa
Três lados
Céu, inferno e purgatório
Direita, esquerda e centro
Razão, emoção e equilíbrio
Sempre três
Três solteirões e um bebê
Os três mosqueteiros
Pedro negou Jesus por três vezes
Trifásico
3D
Terça-feira
Terceirização
Sexo, drogas e rock n’ roll
Os três patetas
Lápis, papel e borracha
Vaginal, anal e oral
Sempre três
Santa Maria, Pinta e Niña
Sim, não e talvez
Terceiro Reich
Três Irmãos
RGB
Nada, tudo e metade
Começo, meio e fim
Pai, Filho e Espírito Santo
Trinca
Truco
Tercina
Chico, Harpo e Groucho Marx
Garfo, faca e colher
Homem, mulher e gay
Verde, amarelo e vermelho
Beijo, abraço e aperto de mão
Três
Sempre três
Trio Los Angeles
Glauco, Laerte e Angeli
Du, Dudu e Edu
Bee Gees
Um é pouco, dois é bom, três é demais
Calça jeans, camiseta e tênis
Branco, preto e cinza
Positivo, negativo e neutro
Próton, nêutron e elétron
Trópico de Câncer, Capricórnio e Linha do Equador
Cinema, televisão e teatro
Black Sabbath, Led Zeppelin e Deep Purple
Três
Sempre três
Meu número de sorte
Por sorte
É três
E agora
Acabarei de uma vez
3
2
1.

João Aranha

09/12/2010

Vestido

Vestido de mim mesmo
Me visto pra ver-te
E ao ver-te
Vejo o vestido
Vestido em você
Vestindo em sua libido
Dentro da veste negra
Que vestes e despes
Que largas o pano preto
Que molda e veste a pele
Que despe o desejo já desnudo
No despejo do recato
No encontro da quente derme
Que dorme, que acorda
Que cola na veste que vestes
E no corpo sem tuas vestes
Nas tiras que tiram
No pano de baixo
Por baixo do pano
Que veste o corpo encorpado
Imantado de prazer
Vestindo para o despir
Para meu corpo acalorado
E despido da vergonha
Sentindo o vestido
Vestindo o sentido
Que vê vestido
Que vês nas vestes
A verdade de já ter sido
E já ter tido
E ser entretido
No calor rasgado
De rasgar teu vestido
Me vejo te vendo
Me vês vendado
Na penumbra da noite
Na silhueta do tangível
Me visto da libido
Que jorra e se despe
Ao ver-te com
E sem vestido.

João Aranha

01/12/2010

Comic Sans

Eles são assim, balançam seus crachás pomposos mostrando o nome da empresa, demoram na fila do self service escolhendo milhões de arvorezinhas e leguminosos para deixar o prato bem verde junto ao pé de frango molhado por três linhas de azeite das inúmeras garrafas dispostas diante dos pratos. Eles são assim, escolhem a coca zero dos sonhos mas não abortam a sobremesa, esta, sempre ao lado, e quando o clima está quente, um sorvetinho é sugado sem ao menos retirar a embalagem molhada e colada no mesmo. Eles são assim, falam de negócios, falam de taxas, falam sobre o chefe que não sabe trabalhar, falam das viagens do fim de semana, eles são daqueles que viagem significa praia, Disney, Orlando ou Miami. Eles são daqueles que amam o verão e que o frio só atrapalha. Eles são assim, eles adoram desktops com imagens de praias paradisíacas, eles adoram a plenitude do não fazer nada, apenas sombra e água fresca, produzir só das 8 às 6 da tarde, porque logo depois tem o happy hour da firma, porque as boazudas que falam sobre os mesmos assuntos estarão lá. Eles são assim, sorriem e falam alto sobre empresas, negócios, taxas, porcentagens, tarifas e serviços, mas falam de arte também, é claro. Falam da peça engraçadíssima que viram no sábado, aquela que tinha uma atriz global, que era gostosa, mas que manda muito bem, que adoram teatro mas nunca foram aos guetos longínquos do sucesso, onde jazem atores anônimos que dão o sangue para interpretar sem ao menos serem reconhecidos na rua. Eles falam de arte, mas não de drama, pois eles são assim, drama é triste, ninguém merece ver, dizem o famigerado “triste já basta a vida”, assim, preferem rir do que chorar, afinal, eles são assim, são os mesmos que não podem ouvir uma música clássica e logo soltam o seu brado retumbante “essa música dá sono” e emendam com o repetitivo, insistente e pobre “toca uma mais agitada?”, pois é… eles são assim. São daqueles que também amam cinema, claro, eles são daqueles que amam cinema porque gostam de rir apenas, porque drama “basta a vida”, mas claro, aceitam dramas sim, mas só se forem americanos, porque cinema pra eles só americano, afinal, eles são assim, gostam de filmes americanos porque têm explosões, cenas picantes, humor fácil e final extremamente feliz, por que não entendem o que é previsível, ou até entendem, mas preferem assim, porque dizem o exaustivo “ninguém merece”, porque “de triste já basta a vida, né?”, então, aceitam um draminha, mas tem que ter o Morgan Freeman ou Robbin Williams, entre outros da mesma altura, afinal, só os americanos sabem filmar e só eles têm roteiros excelentes pra mexer com a alma, de tocar no fundo da alma, afinal, roteiros onde a mãe vai atrás da guarda do filho, ou a psicóloga foge de um paciente psicopata, ou um homem de meia idade que sempre fez o bem ao mundo e morre de câncer, ou a catástrofe de uma megalópole que começa com New e acho que termina com York são originais e merecem Oscar, afinal, eles são assim, fãs de filmes que ganharam “o Oscar”. Eles gostam do cinema americano, não gostam do filme europeu porque acham parado, acham chato, afinal, “de triste basta a vida, não é mesmo?” então, porque sofrer? Filme nacional eles gostam também, mas precisa ter ator global, senão não deve ser bom, mas tem que ser engraçado e ter final feliz, pois a felicidade é pra ser vista e sentida na tela, não na vida, porque na vida não é possível, né? Filme nacional fala muito palavrão, mostra mulher pelada e gente pobre, filme bom tem que mostrar loira peituda burra no carrão em Beverly Hills dizendo “motherfucker” entre uma bola de chiclete rosa sendo estourada simultaneamente ao enrijecer dos mamilos disponibilizados sob a blusa apertada para excitar o povo cercado de pipocas e combos gigantescos nas poltronas aveludadas e preparadas para casais fanáticos pelo cinemão calórico, pela película de glicose e pelo final gordurosamente feliz. Eles gostam disso, eles são assim, daqueles que falam que Europa é um continente antigo, que ninguém gosta de coisa velha, e que os Estados Unidos é uma maravilha para se morar, afinal, eles têm tudo lá, toda a tecnologia, respeito pelos habitantes, segurança, compras, milk-shakes, hambúrgueres, hot-dogs, pizzas e calorias por toda a parte, mas que aqui, nos selfs da vida, escolhem as verdinhas já citadas, pois é necessário se cuidar, né? É necessário cuidar do corpo, mas da mente também se cuidam, compram livros de auto-ajuda, afinal, livro bom é aquele fácil, que mostra como viver melhor nesse mundo caótico de empresas mercenárias, mas que mostre uma luz no fim do túnel corporativo para ser o funcionário do mês a ser prestigiado por algo que fez com festinha de comemoração na sexta-feira, onde podem ir sem o gel no cabelo e sem a gravata, afinal, é sexta-feira, e só na sexta-feira podem suavizar os padrões, só na sexta, afinal, eles podem deixar a barba crescer também pra ir no churrasco no sábado mais à vontade, o churrasco do cara mais legal da empresa que ele ama e que dá benefícios. O churrasco onde vão tocar aquela musiquinha mais agitada, e não aquela música triste que serve só para depressivos. Aquele churrasco onde pedem pra tirar foto e ficam mais rígidos que o carvão do churrasco fazendo pose com sorrisos de leste à oeste, pedem para tirar a foto com os amigos em diversos lugares, que são os mesmos lugares, os mesmos amigos e as mesmas poses. São aqueles que, quando viajam para um lugar fora do Brasil (lembrem-se, só Estados Unidos), tiram fotos na frente de monumentos históricos, bem na frente, bem sorridentes e bem na frente da foto, ou no máximo no cantinho, pra depois colocar nas redes sociais com a legenda “foi show… uhuuu!!!”. Sim, eles são assim. São aqueles que dizem que o sobrinho faz o layout do convite do batizado muito melhor que você, pois “o moleque tem as mãnha, ele faz no computador dele, o último que ele comprou lá na megastore” e o texto do convite ele mesmo escreve, porque sempre escreveu bem na escola e a esposa deu aula de português até o ano passado. É… eles são assim, são os que escolhem aquela fonte bem legal para o mesmo convite do batizado porque acham a letra bonitinha, moderna e inovadora, eles escolhem a fonte Comic Sans. E sabem por quê? Porque eles são assim. Eles são Comic Sans.

João Aranha

27/10/2010

disponíveis

Desabafo

- Ai, amiga, homem é complicado, viu…
- É, eu sei. Mas por que você diz isso?
- Ah, eu sempre quis um homem forte, sabe? Mas toda vez que eu encontro é um daqueles bombados, que parecem mais uma rã de sunga, sabe?
- Ah… é horrível mesmo.
- Não precisa ser tão forte, entende? Não precisa ser alterofilista, mas também não precisa ser magrelo, daqueles que tiram a camisa e a gente faz o raio-x a olho nu, entende?
- Entendo.
- E eu também não ligo pra classe social, sabe? Eu não ligo se ele não tem carro, mas sempre ter de ir buscar e levar ele pra casa é um saco, amiga.
- É um saco mesmo.
- Mas é legal ter uma estrutura também, né? Mas também não acho legal o cara ter muito dinheiro porque fica arrogante, acho um saco ouvir papos de golfe.
- Te entendo, amiga.
- E eu também gosto de homens românticos, daqueles que sabem encantar uma mulher.
- Concordo.
- Mas também não pode ser só romântico, tem que ter pegada, sabe? Que faça a gente se encantar, mas que deixe a gente no ponto, toda molhada, sabe o que eu estou falando, né?
- Claro, amiga. Claro.
- E, como falei, e no sexo então? Não ligo pra tamanhos, sabe? Não acho que pênis grande resolva a coisa em si. Tem uns que machucam e ainda nem sabem brincar com o meninão pra me deixar louca, mas também, pequeno também não dá, né? É tão bom me sentir bem preenchida…
- Com certeza, querida.
- Tem que ter pegada mas não pode ser grosso e estúpido. Tem que ser fino e ter grosso, e não ser grosso e ter fino, né amiga?
- Perfeito.
- Eu também sempre quis homem inteligente. Mas não precisa ser um idiota que só saiba falar de física quântica e a teoria do cosmos, entende? Não precisa ser assim, mas também, não saber escrever eu acho o ó, sabe? Poxa, escrever “te peço” com “s” não dá, né?
- Opa, total!
- E outra, tem que ser cavalheiro também. Dar a passagem pra gente, abrir a porta do carro, puxar a cadeira, essas coisas, né? Mas também, cavalheirismo demais enche o saco. Mas também não precisa esquecer a passagem, a porta e a cadeira e deixar a gente esperando, né amiga?
- Sim, amiga. Tem razão.
- Eu também acho que homem tem que se cuidar. Acho muito bacana um homem cuidar das unhas das mãos e dos pés, limpar atrás da orelha e aparar os pêlos do corpo, mas também ficar com uma necessaire a tira colo pra lá e pra cá fazendo escova acho muito efeminado, também não é assim, né, querida?
- Concordo. É difícil.
- E tem outra. Acho o máximo quando o homem ouve a gente. Que entende tudo o que a gente fala, mas não precisa abaixar a cabeça sempre, né, querida? Homem precisa ter opinião, poxa…
- Sempre achei isso.
- Pois é, amiga. E tem mais. Tem que ser cheiroso. Mas também, tomar banho de perfume é insuportável, além do mais é muito deselegante, né?
- Exatamente.
- Ele também tem que se dedicar, estar presente, sabe? Ele pode sair com os amigos quando bem entender, mas deixar a gente plantada durante 2 horas depois do expediente dele mesmo depois de avisar que ia demorar um pouquinho eu acho injusto. Ele pode jogar bola toda quarta-feira, eu deixo, mas precisa voltar cansado, suado e falar dos papos dos amigos que estão com problemas?
- É assim mesmo, amiga.
- Pois é. E tem mais uma coisa que me deixa louca.
- O quê?
- Ah, quando homem sai com a gente pra fazer compras é uma bosta. Eu não entendo porque eles não conseguem esperar a gente escolher um sapato em cada loja que eu entro. Não entendo como eles conseguem ficar sentados na cadeira dormindo ou com cara de estressado. Você entende?
- Perfeitamente, amiga.
- Poxa, eu acho homem muito complicado. Custa fazer esses pequenos gestos?
- Também acho, querida. Por isso que eu prefiro mulher.
- Como?
- É. Eu gosto de mulher. Eu sou mulher e entendo mulher.
- É mesmo?
- Claro. Me dá um beijo?
- Eu?
- É. Você. Me dá um beijo? Você é uma delícia.
- Acha mesmo?
- Eu não acho. Eu tenho certeza.
- Hmmm… sério?
- Sério. Vem cá… Vem aqui, me dá essa sua boca gostosa…
- Nossa… fiquei sem jeito, mas confesso que me arrepiou…
- Eu também tô arrepiada…
- Eu gostei…
- Eu também, linda…
- É a primeira vez que ouço isso de uma mulher.
- Por mim você vai ouvir sempre. Vem cá, vai… Me dá um beijo…
- Tá… um só, tá?
- Ok. Vem, gostosa…
- Mas vem cá… Você vai me ligar amanhã?

João Aranha

16/09/2010

Desabafo

- Ai, amiga, homem é complicado, viu…
- É, eu sei. Mas por que você diz isso?
- Ah, eu sempre quis um homem forte, sabe? Mas toda vez que eu encontro é um daqueles bombados, que parecem mais uma rã de sunga, sabe?
- Ah… é horrível mesmo.
- Não precisa ser tão forte, entende? Não precisa ser alterofilista, mas também não precisa ser magrelo, daqueles que tiram a camisa e a gente faz o raio-x

a olho nu, entende?
- Entendo.
- E eu também não ligo pra classe social, sabe? Eu não ligo se ele não tem carro, mas sempre ter de ir buscar e levar ele pra casa é um saco, amiga.
- É um saco mesmo.
- Mas é legal ter um estrutura também, né? Mas também não acho legal o cara ter muito dinheiro porque fica arrogante, acho um saco ouvir papos de golfe.
- Te entendo, amiga.
- E eu também gosto de homens românticos, daqueles que sabem encantar uma mulher.
- Concordo.
- Mas também não pode ser só romântico, tem que ter pegada, sabe? Que faça a gente se encantar, mas que deixe a gente no ponto, toda molhada, sabe o que eu

estou falando, né?
- Claro, amiga. Claro.
- E, como falei, e no sexo então? Não ligo pra tamanhos, sabe? Não acho que pênis grande resolva a coisa em si. Tem uns que machucam e ainda nem sabem

brincar com o meninão pra me deixar louca, mas também, pequeno também não dá, né? É tão bom me sentir bem preenchida…
- Com certeza, querida.
- Tem que ter pegada mas não pode ser grosso e estúpido. Tem que ser fino e ter grosso, e não ser grosso e ter fino, né amiga?
- Perfeito.
- Eu também sempre quis homem inteligente. Mas não precisa ser um idiota que só saiba falar de física quântica e a teoria do cosmos, entende? Não precisa

ser assim, mas também, não saber escrever eu acho o ó, sabe? Poxa, escrever “te peço” com “s” não dá, né?
- Opa, total!
- E outra, tem que ser cavalheiro também. Dar a passagem pra gente, abrir a porta do carro, puxar a cadeira, essas coisas, né? Mas também, cavalheirismo

demais enche o saco. Mas também não precisa esquecer a passagem, a porta e a cadeira e deixar a gente esperando, né amiga?
- Sim, amiga. Tem razão.
- Eu também acho que homem tem que se cuidar. Acho muito bacana um homem cuidar das unhas das mãos e dos pés, limpar atrás da orelha e aparar os pêlos do

corpo, mas também ficar com uma necessaire a tira colo pra lá e pra cá fazendo escova acho muito efeminado, também não é assim, né, querida?
- Concordo. É difícil.
- E tem outra. Acho o máximo quando o homem ouve a gente. Que entende tudo o que a gente fala, mas não precisa abaixar a cabeça sempre, né, querida? Homem

precisa ter opinião, poxa…
- Sempre achei isso.
- Pois é, amiga. E tem mais. Tem que ser cheiroso. Mas também, tomar banho de perfume é insuportável, além do mais é muito deselegante, né?
- Exatamente.
- Ele também tem que se dedicar, estar presente, sabe? Ele pode sair com os amigos quando bem entender, mas deixar a gente plantada durante 2 horas depois

do expediente dele mesmo depois de avisar que ia demorar um pouquinho eu acho injusto. Ele pode jogar bola toda quarta-feira, eu deixo, mas precisa voltar

cansado, suado e falar dos papos dos amigos que estão com problemas?
- É assim mesmo, amiga.
- Pois é. E tem mais uma coisa que me deixa louca.
- O quê?
- Ah, quando homem sai com a gente pra fazer compras é uma bosta. Eu não entendo porque eles não conseguem esperar a gente escolher um sapato em cada loja

que eu entro. Não entendo como eles conseguem ficar sentados na cadeira dormindo ou com cara de estressado. Você entende?
- Perfeitamente, amiga.
- Poxa, eu acho homem muito complicado. Custa fazer esses pequenos gestos?
- Também acho, querida. Por isso que eu prefiro mulher.
- Como?
- É. Eu gosto de mulher. Eu sou mulher e entendo mulher.
- É mesmo?
- Claro. Me dá um beijo?
- Eu?
- É. Você. Me dá um beijo? Você é uma delícia.
- Acha mesmo?
- Eu não acho. Eu tenho certeza.
- Hmmm… sério?
- Sério. Vem cá… Vm aqui, me dá essa sua boca gostosa…
- Nossa… fiquei sem jeito, mas confesso que me arrepiou…
- Eu também tô arrepiada…
- Eu gostei…
- Eu também, linda…
- É a primeira vez que ouço isso de uma mulher.
- Por mim você vai ouvir sempre. Vem cá, vai… Me dá um beijo…
- Tá… um só, tá?
- Ok. Vem, gostosa…
- Mas vem cá… Você vai me ligar amanhã?

Tateando

No toque, me toca
Me toco, teu toque
Tateio, teu toque
Tateia, me toca
Me toco
Te toco
Me toca
Se toca
Nos tocamos
Tocando
Na toca
Toca tua
Tua toca
E no teu toque
Me toco
Que teu toque
E teu tato
Me tateia
No teu tatear
Do toque
Do tato
Tateando
Tatiando
E na troca
Em nossa troca
Nos tocamos
Que no simples toque
Algo
Nos tocou.

João Aranha

04/09/2010

Briefing de Poeta

Briefing de publicitário tem metas
Briefing de poeta tem flechas
Briefing de publicitário tem target
Briefing de poeta tem pessoas
Briefing de publicitário tem prazo
Briefing de poeta tem seu tempo
Briefing de publicitário tem formato
Briefing de poeta tem sua forma
Briefing de publicitário tem referência
Briefing de poeta tem consciência
Briefing de publicitário tem foco
Briefing de poeta tem olhar
Briefing de publicitário tem venda
Briefing de poeta é vendado
Briefing de publicitário tem produto ou serviço
Briefing de poeta é servir com seu produto
Briefing de publicitário é conhecer o negócio
No briefing de poeta, o negócio é conhecer
Briefing de publicitário é beber na fonte
No briefing de poeta, a fonte é beber
Briefing de publicitário é tudo igual
Briefing de poeta não há nada igual
Briefing de publicitário tem cor certa
Briefing de poeta tem sua cor
Briefing de publicitário fala o que precisa
Briefing de poeta fala o que sente
Briefing de publicitário precisa ser entendido
Briefing de poeta não precisa entender
Briefing de publicitário é um job
Briefing de poeta não dá trabalho
Briefing de publicitário imita a arte
Briefing de poeta é arte que não imita
Briefing de publicitário paga as contas
Briefing de poeta não há conta que pague
Briefing de publicitário chega de última hora
Briefing de poeta chega na sua hora
Briefing de publicitário tem de ler
Briefing de poeta tende a ser lido
Briefing de publicitário sempre tem erro
Briefing de poeta vive do erro
Briefing de publicitário fica na mesa
Briefing de poeta faz sua mesa
Briefing de publicitário tem de entregar
Briefing de poeta tem de se entregar
Briefing de publicitário tem de ser aprovado
Briefing de poeta tem de aprovar-se
Briefing de publicitário tem entrada e saída
Briefing de poeta a saída é entrar
Briefing de publicitário tem de obedecer
Briefing de poeta tem desobediência
Briefing de publicitário tem de ouvir o cliente
Briefing de poeta tem de ouvir
Apenas
O seu coração.

João Aranha
31/08/2010

Paúra

Fobia que não ia
Fobia que não ia embora
Que não sumia
Sempre aparecia
Sempre surgia
Pavor com louvor
Com terror de tê-lo
De sê-lo
De medo
De medo que não muda
Que muda a voz
Ou deixa muda
Muda que não vai crescer
Que não será planta
Afobado
Não colho mais a fobia
Nem o medo
Só recolho o que dá dor
E jogo fora
Sem dor
Tiro da mente
Tiro no peito
Tiro essa cor
Trago no cerne
Sem torpor
A dor cabida
A dor sabida
Da incerteza
Da tristeza
Mas com destreza
Cuspo a fobia
Piso no medo
Queimo o pavor
Fico limpo
Volto à minha mentira
Ou à minha verdade
De não mais ter essa dor.

João Aranha
31/08/2010

Apelido

Toda Mariana vira Mari
Toda Marina vira Má
Todo Carlos vira Cacá
Todo Carlos Eduardo vira Cadu
Todo Eduardo vira Dú
Toda Débora vira Dé
Toda Angélica vira Gé
Todo Francisco vira Chico
Todo José vira Zé
Todo Marcelo vira Celo
Todo Marcos vira Marcão ou Marquinho
Bem como Paulo, ora Paulão, ora Paulinho
Toda Fabiana vira Fabi
Toda Gabriela vira Gabi
Todo Guilherme vira Gui
Todo Gilberto vira Gil
Toda Silmara vira Sil
Todo Roberto vira Beto
Mas Roberta e Rosângela viram Rô
Tem a Renata que vira Rê
Também a Regina tem seu porquê
Todo Antônio vira Toninho
Mas tem os que viram Tonhão
Lembrei de Sebastião
Que não tem jeito, vira Tião
Assim como toda Cristiane vira Cris
Toda Elizabeth vira Beth
Os Alexandres e os Alessandros viram Alê
E se Leonardo vira Léo
Todo Leandro vira Lê
E toda Adriana vira Dri
Toda Priscila vira Pri
E se toda Melissa vira Mel
Toda Viviane vira Vivi
Toda Veridiana vira Veri
Fê vira dos Fernandos e Fernandas
Que podem ser Nandos e Nandas
Todo Frederico vira Drico
E se for rico, vira Fred
Toda Ana vira Aninha
Se for pequenininha
Com sarcasmo vira Anão
E toda Cláudia, inevitável, vira Claudinha
Também vira Dinha e também vira Clau
Porque toda Gláucia vira Glau
Toda Jaqueline vira Jaque
Toda Patrícia, mesmo sem grana, vira Paty
Toda Tatiana vira Tati
Toda Talita vira Tali
Todo Daniel vira Dani
Toda Rafael vira Rafa
Toda Lilian vira Lili
Toda Adele vira Delle
Toda Isabele vira Belle
Todo Diego vira Didi
Toda Isabel vira Bell
Nem requer pesquisa, também vira Isa
Lembrei de Luísa, que vira Lú
Igual Juliana e Júlia, que sempre viram Jú
E, claro, Gustavo sempre vira Gu
Com ou sem H, Tiago vira Ti
Mais simples que Ariovaldo
Que é comum virar Ari
E tem as Giselas e Giseles que viram Gi
A Michele que vira Mi
César vira Cesão ou Cesinha
Se for Aparecido vira Cidão
Se for Aparecida vira Cidinha
Se for Carolina vira Carol
Se for Maria vira Mariazinha
Se for Sônia vira Soninha
E mesmo o Milton não querendo
Miltinho acaba sendo
Se Waldomiro vira Wal
Argemiro vira Miro
Porque todo Benedito
Fica o Dito pelo não Dito
Pois todo Samuca vem de Samuel
E todo Manoel vira Manu
Como todo Joaquim vira Quim
Tem o Pedro
Que vira Pedrinho ou vira Pedrão
E o que sobra?
Sobra o João
Que vira Jão
Que vira Joãozinho
Que vira Jãozinho
Que vira Zinho
Que vira John
Que vira Johnny
Que vira Little John
Que vira Little Johnny
Que vira Johnny be Good
Que vira Jota
Que vira Joca
Que vira Juca
Que vira John John
Que vira Joe
Que vira Jones
Que vira Spider John
Que vira Spider Jones
Que vira Spider Jonze
Que vira Spike Jones
Que vira Spike Jonze
Que vira Spider
Que vira Johnny Spider
Que vira John Spider
Que vira Aracnídeo
Que vira Aranha
Que vira João
Que vira João Aranha.

João Aranha

27/07/2010

…e todo Apelido vira Nick.