São Paulo, nossa terra
Terra de tantos e de todos
Terra de paulistano e paulista
Nordestino e sulista
De gringo e turista
De mineiro e carioca
Terra do Mube e da Oca
Terra da pizza, do pastel, da bisteca
Do Museu da Língua, do Masp, Pinacoteca
Terra da garoa, da chuva, da lagoa
Terra que tem São Paulo, terra que tem Palmeiras
Corínthians, Juventus e Portuguesa
Terra dos estádios e tantos campos
Do Campo Belo, do Campo Limpo
Dos Campos de Piratininga
Terra do chopp e da pinga
Terra cinza e de tais ranzinzas
De raro azul, de zona sul
Terra que investe, de zona leste
Terra forte, de zona norte
Terra de tendências, da moda que veste
Terra dos desfiles, de zona oeste
Terra da poeira e do Ibirapuera
Terra da democracia e da república
Do Líbano e da praça pública
São Paulo de todos os santos
De São Miguel, de São Mateus
De São João com Ipiranga
Terra de museus e tantos breus
Terra da Luz e do apagão
Das capinhas de chuva
Das bandas do Capão
Terra da boemia, do poema, de Moema
Dos índios, dos pássaros e Perdizes
Terra dos túneis, viadutos e passarelas
Terra nossa, terra deles, terra delas
Terra do trânsito parado
Do mendigo judiado
Do flanelinha sem brilho
Do malabarista maltrapilho
Dos executivos e dos pratos executivos
Do virado à paulista, da feijoada
Do pingado com pão na chapa
Terra do roubo que dispara o alarme
Que acorda cedo, que dorme tarde
Terra que vira a noite
Terra que vive a noite
Terra que vive o dia
Terra do rock e da rebeldia
Do samba, do soul, do baile e da valsa
Do reggae, do eletro, do jazz e da salsa
Terra da MPB e da erudita
Terra do José e da Benedita
Terra de católicos, evangélicos e adventistas
Terra de judeus, espíritas e budistas
Terra de ateus, agnósticos e hare krishnas
Terra de ceitas, de egocêntricos e altruístas
Terra de madres, terra de frades
De padre Anchieta, de padre Antônio e João Manuel
Terra de pensão, hotel e motel
Terra de vilas, vielas e favelas
De Paraisópolis, de Heliópolis
Terra gigante, metrópole, megalópole
Terra da pole dance, das prostitutas e seus puteiros
Terra do ouro, da prata e do dinheiro
Da Lapa, do Brooklin e de Pinheiros
Da Brasil, da Europa e da Estados Unidos
Terra da Escócia, Groenlândia e Venezuela
De coisas feias, de coisas sem graça e de coisas belas
Terra justa e injusta
Terra do sobe e desce que cai na Augusta
Terra das ruas, avenidas e alamedas
Terra de jardim, de Jardins, da Cidade Jardim
Da 9 de julho, que passa no túnel, vai lá pro Itaim
Da Olímpia e da Madalena
Do Minhocão e da Consolação
Terra que tem Inferno e Paraíso
Que compra na boca, que sai porra-louca, que dá seu sorriso
Terra que anda na linha
Azul, Verde, Vermelha e Amarela
Terra da pequena Lilás
Terra de todas as cores
Da Casa das Rosas, da Alameda das Flores
Dos perfumes femininos
Dos esgotos, dos odores
Terra da Bela vista e das belas vistas
Coração do Brasil
Pulmão do país
Terra do Bixiga
Das clínicas e hospitais
Ambulatórios e cemitérios
Sempre cabe mais um
Dos recatados, do adultério
Terra da faculdades
De todas as idades
Da ingenuidade à promiscuidade
Dos certificados, dos diplomas e seus incisos
Lutado em prantos
Conquistado em risos
Terra de necessitados, noinhas e camelôs
Terra de peruas, dondocas e bibelôs
Terra da 25, da 23, da 7 de abril
Terra de marginais, terra das marginais
De Tietê e de Pinheiros
Não têm mais água, não tem mais rio
Terra que te dá vida
Terra que te enterra
Que dá Esperança à Guilhermina
Que dá Saúde à Mariana
Que caminha na Praça da Árvore
Que se benze na Santa Cruz
Terra que dá Liberdade, mas Tiradentes
Que segue em frente
Para trás, até o Brás
Terra que desenboca
Terra do Bresser, Belém, Moóca
Terra que anda na Parada Inglesa
Vias caóticas, terra de góticas
Terra de negros, brancos e amarelos
Terra de mamelucos e caboclos
De cafusos e confusos
Terra de israelense e palestino
Terra do acaso e do destino
Terra do futuro, terra da memória
Dos Estudantes, da Acimação, da Glória
Terra que Non Ducor, Duco
Terra de jovens e crianças
De vanguardistas, retrôs e caducos
Terra de publicitários e jornalistas
De empresários, de bêbados, de artistas
De periferia, de asfalto, de pistas
Terra de direita, de esquerda e do centrão
De mortadela do mercado
De sanduíche do Estadão
Terra de tantos temas e temakis
Terra de estrelas, terra de destaques
Terra do misto quente, do bauru, da salada mista
Terra que te engana, terra que te conquista
Terra que te cativa, que te maltrata
Terra que te suga, que te contrata
Terra da Paulista
Terra do nome na lista
Terra de milhões
Terra dos milhões
Terra da gente, de gente, pra gente
Terra de gente grande, de gente pequena
De ricos e famosos
De anônimos favelados
Terra que inicia
Terra que encerra
Terra que encena
Terra em cena
Terra da Sé, terra da fé
De Sacomã, de Higienópolis, de Imirim
De Jabaquara, de Arthur Alvim
Terra de doentes, da Ponte dos Remédios
Terra de arranha-céus, de casinhas, de prédios
Terra das grandes festas, dos bolos e das Brigadeiros
Terra do carro, ônibus, metrô e trem
Do trólebus, do avião, do helicóptero que vai e vem
Das motos e bicicletas
Dos caminhões e carroças
Dos rodízios e churrascarias
Das poças e alagamentos
Dos sinais e cruzamentos
Terra do andar a pé
Do engata a primeira
De não tem mais vaga
Da marcha ré
Terra de todas as terras
Dos terraços, do Itália
Do futebol, da Copa, do Copan
Terra dos milhares de lares
Terra de muitos fãs
Terra que não se cansa
Terra que dança sua dança
Terra de cerimônias, terra sem cerimônias
Terra que voa, que decola, de Congonhas
Terra com pé no chão
Que abre portas
Que dá tua mão
Terra de nômade, de cigano
Terra que não me engano
Essa terra é São Paulo
A São Paulo que tanto amo.

João Aranha
06/02/2010

Ansiedade
Bem-estar
Carinho
Dengo
Excitação
Flerte
Gozo
Hormônio
Instinto
Jazigo
Karma
Libido
Malícia
Nirvana
Ópio
Paixão
Quimera
Rosa
Sexo
Tesão
Uso
Volúpia
Wow
Xamã
Yin Yang
Zen

João Aranha

24/01/2009

Passou na minha frente
Sequer olhou para trás
Tampouco me viu
Partiu rápido
Assim
Deixando sua silhueta
Seus cabelos ao vento
Seu perfume leve
Junto ao da manhã
Seguiu o seu caminho
E eu segui o seu
Sumiu sem deixar pista
No meio da avenida
Mas seu rastro de charme
Jamais perderia de vista.

João Aranha

20/01/2010

Olho
Ela olha
Volto o meu à parede
Fotos
Esculturas
Rodin
Belos contornos
Volto o meu olhar
Ela volta com o seu
Um segundo apenas
Volto à parede
Mais esculturas
Mais beleza
Mas a beleza daquele olhar
Some no espaço
Volto à arte
Mas, e a bela?
A bela arte?
A arte feminina e silenciosa
Aquela que me faz homem
Que nutre meus desejos
Que vai além do meu cortejo
Que faz-me rir sozinho
Aquela beleza alva
De cabelos vermelhos
Saia preta
Semblante terno
Olhar eterno
Foi-se embora
E naquela hora
Foi minha busca
Curiosidade de outrora
Voltei o olhar ao museu
Belas artes
Mas, e a bela arte?
Término do horário
Puz-me a sair
Um cigarro acendi
Encontro a bela
Após a arte
Trocava palavras com outrem
Um ser masculino
E me sentindo ninguém
Mudei o olhar
Mudei o caminho
E neste caminhar
Sozinho
Só lembrava daquele olhar
O da arte
E o da bela arte.

João Aranha

17/12/2009

Foda-se eu
Foda-se tu
Foda-se ele
Fodam-se nós
Fodam-se vós
Fodam-se eles
Foda-se aquele que desdém
Foda-se aquele que lhe convém
Foda-se aquele que lhe mantém
Foda-se aquele que vai além
Foda-se aquele que fi ca aquém
Foda-se aquele que vem
Foda-se aquele que não vem
Foda-se aquele que tem
Foda-se aquele que não tem
Foda-se aquele que vai
Foda-se aquele que foi
Foda-se alguém
Foda-se ninguém
Foda-se aquele
Foda-se aquilo
Foda-se isso
Foda-se este
Foda-se aquele bem
Foda-se aquele mal
Foda-se aquele tal
Foda-se o metido
Foda-se o intrometido
Foda-se o fofoqueiro
Foda-se o bisbilheteiro
Foda-se o olheiro
Foda-se o salário
Foda-se o salafrário
Foda-se o falsário
Foda-se o alfandegário
Foda-se o bancário
Foda-se o publicitário
Foda-se o cambista
Foda-se o economista
Foda-se o estilista
Foda-se o artista
Foda-se o honesto
Foda-se o modesto
Foda-se o funesto
Foda-se o indigesto
Foda-se o burocrata
Foda-se o aristocrata
Foda-se o democrata
Foda-se a direita
Foda-se a esquerda
Foda-se a política
Foda-se a crítica
Foda-se a mítica
Foda-se a mídia
Foda-se a elite
Foda-se o palpite
Foda-se a tendinite
Foda-se o iconoclasta
Foda-se o cineasta
Foda-se o pederasta
Foda-se o hétero
Foda-se o assexuado
Foda-se o tarado
Foda-se o tapado
Foda-se o temerário
Foda-se o funcionário
Foda-se o visionário
Foda-se o centenário
Foda-se o poder
Foda-se o foder
Foda-se quem fode
Foda-se quem se fode
Foda-se o fodão
Foda-se o patrão
Foda-se quem quer ter sido
Foda-se o fodido
Foda-se o perdido
Foda-se o bandido
Foda-se o experimental
Foda-se o intelectual
Foda-se o sentimental
Foda-se o cigarro
Foda-se o pigarro
Foda-se o catarro
Foda-se a cerveja
Foda-se a peleja
Foda-se o percevejo
Foda-se o teu desejo
Foda-se o teu beijo
Foda-se o locutor
Foda-se o ator
Foda-se o amor
Foda-se o nexo
Foda-se o sexo
Foda-se o côncavo
Foda-se o convexo
Foda-se o meu
Foda-se o teu
Foda-se o ateu
Foda-se quem te magoou
Foda-se quem te maltratou
Foda-se quem quer que seja
Foda-se para mim
Foda-se para você
Foda-se todo mundo
Foda-se para o mundo.

João Aranha

14/09/2009

Queria pegar na tua cintura, puxar teu corpo ao meu, sentir um beijo teu, acariciar a pele tua, cheirar-te na tua nuca, despir tuas vestes, sentir teu gosto quente, cair no eloquente, me envolver no calor teu, ouvir o teu sussurro, permear pelo teu sexo, e no côncavo e convexo, ficar perplexo com o gozo teu. Mas agora não quero mais. Você partiu, a minha alma feriu, e o que eu mais queria, não posso querer mais.

João Aranha

25/11/2009

Papel de tinta
Papel timbrado
Papel que imita
Papel marcado
Troca de papéis
Todo dia
Toda noite
Papel de troca
Escambo, permuta
Papel de puta
Pedreiro, banqueiro
De asno, batuta
Papel circulante
Ignorante, infante
Nota suja
Desagradável
Murcha
Papel da vida
Papel que suga
Papel que mata
Papel que compra
Vende, aluga, contrata
Joga fora
Guarda, queima
Papel da guerra
Guerra de papel
Papel de pastel
De coxinha, pão de mel
Papel no colchão
Coxão mole, à granel
Mercado, papel suado
Roubado, furtado
Cédula, célula, celulose
Overdose de papel
Papel com cara
Papel com coroa
Chuva de papel
Cai na garoa
Papel moeda
Papel moído
Rabiscado, encardido
Perdeu o distraído
No meio da viela
Saco de sal
A mais valia
Salário, corrente
Salafrário, concorrente
Papel de cores fortes
Valores, cortes
Número de série
Escândalo, intempérie
Papel do advogado
Do bispo, do publicitário
Papel janota
Papel da nota
No bolso do político
Pobre raquítico
Pagou sua bota
Bota papel na máquina
Tira papel da máquina
Papel de marcineiro
De mercenário
De banqueiro
Papel podre
Papel higiênico
Papel da carteira
Que foi pro bueiro
Papel caro, chique, estrangeiro
Papel barato, livre, muambeiro
Dólar, peso, escudo
Real, fictício
Libra esterlina
Neurose, adrenalina
Ganha-pão
Cata papel
Tem na igreja
Tem no bordel
Papel de fome
Papel de fartura
O mundo sem tal papel
É vida pobre
É vida dura
Mas o que mais vale
É tua vida pura.

João Aranha

25/11/2009

Não sei nada sobre o crepúsculo, ou sobre a lua nova, o marketing crescente, a pipoca cheia e conteúdo minguante, mas uma coisa eu sei: filmes de vampiros com sensibilidade de verdade não é comum e, claro, vindo da Suécia é mais incomum ainda. Como sabem, não sou fã de blockbusters, apesar de já ter trabalhado em uma, mas o problema é quando todo mundo começa a gostar de uma determinada coisa e, vindo essa coisa das terras do Tio Sam, novamente, me ponho a ficar em fúria, porque tudo o que vem de lá vira marketing, vira brinde, vira a cabeça das pessoas e eu, revoltado e indignado com pessoas que amam enlatados e séries pelo mundo afora, fico neurótico e estressado quando só se falam em um assunto, ou melhor, num filme só. Calma, pessoas, eu gosto de filmes americanos e até algumas poucas séries, mas é bem a minoria que eu gosto, e tanto os filmes como as séries não são daqueles em que as adolescentes ficam levemente, ou totalmente, com as roupas de baixo úmidas por um sorriso ou até pelo não sorriso de um galã e a adolescência masculina também deixa-se excitar pelos cabelos de uma menina bonita que faz par com o referido acima. Volto a frisar que, não assisti e, talvez, seja um bom filme, antes que me ataquem no pescoço mas, por que não assistir um filme diferente, daqueles que não se ouve falar, daqueles que não se vê em qualquer sala de cinema mas que, em si, nos tocam, nos deixam amenos e bem menos estressados com tamanha fome de filmes e séries em sequência?

“Deixa ela entrar” é o filme sueco de que falo aqui, uma película que mostra o filme de vampiros mas com um olhar diferente, e é exatamente esse diferente que me fascina. Diferente por três motivos: primeiro porque não posso considerar um filme com clichês vampirescos com o excesso de sangue que nenhum posto de saúde jamais teve em seu estoque, mas sim o sangue que existe, mas em doses homeopáticas, sem exageros ou aparições desnecessárias; segundo porque é um filme europeu, ou seja, não compete com brindes, firulas e pipocas, apenas mostra a história e pronto, com uma narrativa simples e sem firulas de efeitos especiais e, em terceiro; por ser um filme delicado, pacífico, que mostra o lado noturno do vampiro através de duas crianças, um menino extremamente inocente e indefeso e uma menina, com o seu lado transilvânico na alma, no corpo e, é claro, no sangue.

Um filme extremamente bonito, mesmo dentro dos moldes da criatura dos infernos aterrorizando almas desavisadas em busca de seu alimento de prefixo fator RH. Como o próprio comentário de um crítico, que se encontrava no próprio poster, eu devo repetir: “um filme sombriamente poético.” Essa frase eu realmente queria ter feito, foi o comentário mais próximo da perfeição. E, seguindo ele, devo dizer também que o filme mostra o amor entre essas duas crianças, um romance ingênuo, onde os dois se deparam diante da serenidade e simplicidade que é ser criança e de não terem dúvidas ou medos, mas sim, a vontade de se entregar, mesmo que não seja a um namoro normal, mas a uma amizade pura, com poesia e com a força que um amor, mesmo através dos anos, permanece nos corações humanos e, inclusive, nos que passaram desta para outra fase da vida, ou da morte.

Recomendo o filme, está sendo exibido no Espaço Unibanco, ah… como eu gosto desse lugar, viu? Tanto é que escolho, como já falei, quando chego lá e, sempre, assisto um filme bom, afinal, pra mim, cinema de verdade está lá.

Lembrando, eu já assisti muitos filmes de vampiros, até com o Jack Palance (essa só os amigos arcaicos lembram) eu assistia e o que mais gostei foi o “Drácula”, de Bram Stocker, do diretor Francis Ford Copolla, que mandou muito bem em 1992. Os “crepúsculos” ou “inescrepusculosos” que me desculpem, mas se for casalzinho bonito pra vender pipoca, que vendam a sobriedade sueca, com sotaque árduo de se ouvir, num frio de congelar, mas com a sensibilidade de aquecer nossas almas.

E se a poesia bater em seu coração, por favor, deixa ela entrar. É aí que nós renascemos.

João Aranha

19/11/2009

O poeta escreve sozinho
O poeta escreve para si
Escreve para o seu eu
Expressa sua palavra
Empresta sua letra
Jorra no papel
Seu lugar ao céu
Exprime seu amor
Sua alegria
Seu temor
Sua delicadeza
Seu odor
Quando falta tema
Teima em tê-lo
Colecionador de selos
Femininos
Grudados na boca
Fincados na memória
Poeta é poeta
No fogo, no gelo
E mesmo que não saiba sê-lo
Tem zelo
Pela sua obra
Pelo fervor
Faz da febre sua escrita
Que grita, que chora
Põe pra fora
O que ninguém entende
O que ninguém sente
O que ninguém vê
Jaz sozinho na cama aflita
Na mesa feia
De madeira bonita
Acende a vela
Mas não revela
Guarda para si
O seu tormento
O seu sustento
Poeta precisa de poesia
Poesia nasce de um poeta
Profeta
Profere
Numa rima que não ri
Só rima
Só ri
E só, ele ri
Vive, escreve
Da ponta do lápis
É parte vivida
Página rasgada
Apagada ou bem escrita
Uma vida
Por vezes pública
Por vezes pudica
Poeta que sempre implica
Com as vidas vazias de outrora
De outrem
Corações ocos peturbam o poeta
Ele quer mais
Quer viver depois da tinta
Ir além do papiro
Além do respiro
Da alma
Da alfa, da beta
Ele precisa do rancor
Que explique a saudade
Não importa a velha idade
Nem a que tem frescor
Poeta nasce triste
Mas vive bem
O insensível não compreende
Só vende o seu bolor
Descansa o poeta
Que sente amor
Regurgita dor
Louva o torpor descabido
Ou a singela libido
Faz-se da alma dos outros
Traz pra si o alheio calor
Não precisa ter mulheres
Só precisa das suas
Olhá-las sacia sua fome
Não importam os sobrenomes
Mas sim, seus nomes
Pobre poeta
Dorme tranquilo
Acabou o nanquim
Fechou o botequim
E aquela manequim
Não sabe de ti
Basta sua ciência
Sem consciência
Torna-se vivo
Distraído
Feliz e entorpecido
Na ausência de um amor
Mas para que escrevas
Meu caro poeta
O que lhe falta
É sua dor.

João Aranha

17/11/2009

Na vez que vem
Eu vou
Na vez que foi
Fui eu
Na vez que está
Estou
A vez é minha?
Às vezes sim
Às vezes não
Às vezes
É a minha vez.

João Aranha

12/11/2009